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Protesto: rebeldia ou direito?

Temos visto em nossa nação essa semana uma onda de protestos. Questões como o combate a corrupção, melhorias no transporte, educação, saúde e outras questões tem sido levantadas nesses dias. Os cristãos nas redes sociais e nas ruas também tem se manifestado. No entanto, de um outro lado temos cristãos sinceros que tem defendido que tais protestos saem da zona de submissão que um cristão precisa ter a autoridade. Seria então o protesto um ato de rebelião? 
    Creio que essa confusão pode ser desfeita ao entender o aspecto de que o Brasil é um país debaixo do estado democrático de direito. A Constituição da República Federativa do Brasil promulgada em 5 de outubro de 1988 prevê esta condição. De uma forma bem objetiva, o estado democrático de direito é aquele no qual os mandatários políticos (na democracia: os eleitos) são submissos às leis promulgadas. Ou seja, o estado de direito é aquele que vigora o império da lei. A lei está assim acima da autoridade de uma pessoa. Quando, por exemplo, a presidenta Dilma assume o seu cargo ela concorda e se compromete com esse estado de direito. Na verdade ela mesma está assumindo, comprometendo-se e concordando com esse estado democrático de direito no qual permite manifestações pacificas que visem promover o mesmo. Em nossa Constituição é previsto que o povo possa declarar e se manifestar de forma livre a respeito de seus anseios que fazem coerência com a Constituição. Quem se expõe a ser cidadão brasileiro a principio se coloca a obedecer a Constituição seja essa pessoa prefeito, governador, empresário, presidente, rico ou pobre. Porque a maior autoridade do Brasil não é uma pessoa, mas a Constituição.     

    Então como pode haver rebeldia se a própria presidenta concordou que pode haver a manifestação? Se um pai sendo autoridade, por exemplo, deu a seus três filhos a liberdade e autorização para reclamar se algo os falta como isso seria rebeldia? Por estes dias a própria presidenta num discurso em Brasilia deu uma declaração de apoio as manifestações porque ela sabe que antes de assumir o seu cargo estava autorizando as mesmas. Como cristãos temos assim liberdade para protestar sobre questões que ferem a maior autoridade do Brasil que é a Constituição. No entanto, vale ressaltar, sem partir para ofensa pessoal e o desrespeito a pessoa Dilma como vemos infelizmente cristãos que fazendo assim erram.         

    Nós cristãos temos uma lema: amamos as pessoas, mas não amamos o pecado. Honramos e respeitamos o indivíduo mas não apreciamos seus erros. Como a bíblia diz, honre seu líder e se sujeite a autoridade. Essa postura no entanto não nos exime de nos posicionar quando algo está errado. E no caso de nossa nação isso foi aceito e concordado pelas autoridades que assim o fosse feito.       Biblicamente quando um governo é claramente arbitrário existem exemplos de posicionamento contrário aos líderes. A autoridade de Faráo, por exemplo, abrigou e alimentou o povo de Israel. Mas depois a liderança de Faraó se tornou um jugo opressor de escravidão. Moisés foi levantado e foi contra o que estava acontecendo se colocando assim em oposição a esta liderança. Quando Faraó ordenou que as parteiras hebreias matassem os meninos que nascessem, elas se recusaram a obedecer (Êx 1.17). João Batista protestou contra a promiscuidade do Rei Herodes (Mt 14.3-5). Quando o rei Nabucodonosor emitiu um decreto de que todos os seus súditos deveriam prostrar-se e adorar sua imagem de ouro, Sadraque, Mesaque e Abede-nego recusaram-se a obedecer (Dn 3). Quando o rei Dario emitiu um decreto de que por 30 dias ninguém deveria orar “a qualquer deus ou a qualquer homem”, exceto a ele mesmo, Daniel recusou-se a obedecer (Dn 6.7). Nesses dois exemplos finais, o ato desses homens foi um protesto manifesto e claro a todo povo de que o que o rei estava fazendo era errado. Mas alguém pode dizer mas isso ia contra a adoração do Senhor e Sua Palavra. Mas a corrupção vigente no Brasil também não é?        
    Nossa missão é levar pessoas a Cristo, mas a mesma não exclui nossa ação de levar os princípios do Reino para a esfera do governo terreno. Mesmo em meios a vandalismo e violência que ferem a autoridade constitucional podemos fazer a diferença com nossa postura focada em ser benção para nossa nação. Oremos mas não deixemos de nos posicionar a respeito de tudo que vai contra a nossa maior constituição, em nosso caso chamada: Bíblia. 

por Drummond Lacerda
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